Luís Paulo Costa

 

Naked Girls
 

Sismógrafo (Porto)

Luís Paulo Costa, (detalhe)  Vista da exposição 'Naked Girls' Sismógrafo, Porto. Cortesia do artista e Sismógrafo.

 

A nudez e o nu, para tomar o título de um texto de Kenneth Clark,  é um assunto constantemente discutido no campo da arte.  É na diferença entre esses dois termos que tudo se joga: de um lado a vergonha, do outro o prazer estético. Apesar da aceleração favorecida pelas novas tecnologias, a distinção entre os termos nudez e nu continua a ser operativa, sendo que o primeiro é habitualmente remetido para situações associadas ao espaço privado, enquanto o segundo se manifesta em realizações artísticas (escultura, pintura, fotografia, cinema).

 

Um outro autor, Daniel Arasse, introduz uma curiosa variante entre estes dois pólos. Após recordar uma frase de Jean-Luc Nancy, em "Corpus" – "nós não pusemos o corpo a descoberto: nós inventámo-lo e ele é a nudez" –, o historiador de arte evoca a "Vénus de Urbino", pintada em 1538 por Ticiano, para afirmar que com esta obra o artista italiano aperfeiçoou uma "verdadeira estratégia de erotização da representação visual do corpo feminino de que a pintura europeia não se afastará durante três séculos", ou seja, até Manet.

 

É no pormenor das duas servas presente no fundo da pintura – personagens essas que desviam por momentos a atenção da nudez, do nu, da Vénus –, que Arasse vê a invenção de uma ideia destinada a um longo futuro: "ocupadas a arrumar (ou a procurar) as roupas da 'donna ignuda', estas duas figuras transformam o corpo nu que ocupa o primeiro plano num corpo 'despido'."  E não foi Goya que pintou uma "Maja desnuda"? Caberia aqui ainda citar o livro "Nus Sommes", de Federico Ferrari e Jean-Luc Nancy, no qual se abordam algumas destas questões,  de A a Z: "O nu aparece a partir de uma espera de nada, a partir de um olhar despido e sem nostalgia pela solidão complacente da forma", escrevem a propósito de  "Combustione" (1964), de Alberto Burri.

 

No século XX, desde Duchamp – "O Nu descendo uma escada nº 2" (1912) – até Gerhard Richter – "Ema (Nude on a staircase)" (1966) –, a pintura continuou a prolongar o debate acerca da nudez e do nu. É este também o assunto central da nova série de obras de Luis Paulo Costa, "Naked Girls". Constituído por dez pinturas, este corpo de trabalho é agora revelado em simultâneo em dois espaços: o Sismógrafo, no Porto, a partir da próxima sexta-feira, e na Ermida, em Lisboa, neste caso numa exposição que abriu ao público a 7 de Novembro. Todos os quadros - óleos sobre impressões a jacto de tinta - têm a mesma dimensão (30x25cm). Tratam-se de imagens do corpo trabalhadas com pintura como se a tinta pudesse ser uma pele que esconde para poder mostrar.

 

 

 

SISMÓGRAFO

 

Porto

 

> 12 dezembro, 2015

 

Luis Paulo Costa

Luís Paulo Costa, (detalhe)  Vista da exposição 'Naked Girls' Sismógrafo, Porto. Cortesia do artista e Sismógrafo.

Luís Paulo Costa, (detalhe)  Vista da exposição 'Naked Girls' Sismógrafo, Porto. Cortesia do artista e Sismógrafo.

Luís Paulo Costa, (detalhe)  Vista da exposição 'Naked Girls' Sismógrafo, Porto. Cortesia do artista e Sismógrafo.

Luís Paulo Costa, (detalhe)  Vista da exposição 'Naked Girls' Sismógrafo, Porto. Cortesia do artista e Sismógrafo.

Luís Paulo Costa, (detalhe)  Vista da exposição 'Naked Girls' Sismógrafo, Porto. Cortesia do artista e Sismógrafo.