Com curadoria dos alunos do Mestrado de Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, a exposição Doppelgänger constitui o terceiro momento do ciclo "Ato Contínuo", iniciado em Fevereiro com a performance "I AM HERE" e a resultante exposição "I AM (NOT) HERE", de João Fiadeiro assim como a exposição "Early Films" do jovem artista Gabriel Abrantes.
O ciclo "Acto Contínuo" do Laboratório de Curadoria pretende reflectir sobre o corpo enquanto activo criador de significados no espaço e no tempo.
Em Doppelgänger Julião Sarmento reflecte o seu interesse pela figura gótica do Doppelgänger – o duplo que povoa a literatura oitocentista.
Doppelgänger (2001) centra-se na ideia de duplicação: filma duas mulheres que não se parecem e, ainda que se comportem de forma idêntica, encontram-se em situações diferentes. São duas existências, eternamente presas, duplicadas e interligadas. O que há em comum entre as duas narrativas fica ao critério do espectador, ambas as narradoras dialogam connosco e questionam-nos sobre a sua criação, sobre o duplo como 'o outro lado'; o duplo replicado; e que tem a intenção de substituir o outro. Interrogamo-nos, assim, sobre a sua/nossa natureza, dualidade e o risco desse questionamento. O espectador nunca vai saber qual é qual, pois ambas vão existir através do outro. As personagens estão presas dentro de si e a tensão é criada através dos duplos, dípticos e duplicados de corpos cuja identidade não é reconhecível.

Vista da instalação (detalhe) "Doppelgänger", 2001, Julião Sarmento, Laboratório de Curadoria, Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Cortesia do artista e Laboratório de Curadoria. Fotografia da exposição: Victor Garcia.
Colégio das Artes da Universidade de Coimbra
> 5 fevereiro, 2016
segunda a sexta
14h - 18h