
Paulo Cunha e Silva
“Já fui médico, investigador, professor, comentador televisivo, crítico – ainda mantenho algumas dessas actividades -, e também programador e diplomata. Autarca é que nunca tinha sido, e a ideia de programar uma cidade sob o ponto de vista das políticas culturais é uma coisa desafiante e entusiasmante.”
Nestas palavras de 2013 Paulo Cunha e Silva (1962-2015) deixa perceber o entusiasmo com que abraçou, como tudo na vida, aquela que viria a ser a sua última aventura ao serviço de uma curiosidade e empenho público imensos. A sua vida correspondeu à imagem que ele mais amava: a de uma cartografia fractal, onde nas dobras do imprevisto se adivinhavam novos desafios, e nas pregas de uma coerência estruturante se mapeava a cultura como território dos mais inesperados cruzamentos.
Paulo Cunha e Silva era licenciado em Medicina, sendo Mestre e Doutor pela Universidade do Porto, onde foi Professor de Anatomia. Era Professor Associado de Pensamento Contemporâneo na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
A densidade do seu pensamento cristalizou-se, fundamentalmente, em dois livros: "O Lugar do Corpo: Elementos para uma Cartografia Fractal” (1999, Edições Piaget) e “Portugal no Hospital: identidades, instabilidades e outras crises" (2007, Quási Editora).

Vista da exposição "P. - uma homenagem a Paulo Cunha e Silva por extenso". Galeria Municipal do Porto. Fotografia: Filipe Braga. Cortesia do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Porto e da Divisão Municipal de Ação Cultural e Científica.
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Quando no início dos anos noventa inicia uma colaboração continuada com a Fundação de Serralves, promove um ciclo de colóquios que viriam a criar um paradigma muito particular de articulação do pensamento oriundo de constelações díspares, permitindo a interpenetração da cultura na sua concepção mais tradicional e erudita com segmentos da cultura científica, política e popular. “O olhar: do fotão à sedução” (1991), “Gostos não se discutem!” (1992) e “7 imagens para virar a página” (1994) desenharam um quadro conceptual que viria a tornar-se mais complexo ao longo do tempo e que culminaria em inciativas como o “Futuro do futuro – da matéria ao pensamento”, em 2001, e mais recentemente o “Fórum do futuro” um dos eixos estruturantes da sua programação cultural na autarquia portuense.
Foi responsável pelas áreas do Pensamento, Ciência, Literatura e Projectos Transversais na Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, director do Instituto das Artes do Ministério da Cultura, entre 2003 e 2005, e conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Roma, entre 2009 e 2012.
Enquanto vereador da Cultura da cidade do Porto, viu a Câmara Municipal do Porto receber o Prémio Especial de Melhor Programação Cultural Autárquica da SPA em 2015. Foi prémio Abel Salazar (1986) e foi condecorado com o grau de Cavaleiro de L’Ordre des Arts et des Lettres do Governo Francês em 2015.